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Papa deve beatificar inspiradora de "A Paixão de Cristo"

Por Tom Heneghan

PARIS (Reuters) - A freira alemã do século XIX cujas visões ensanguentadas da morte de Jesus inspiraram o filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, será posta em breve no caminho da santidade, disseram autoridades da Igreja Católica.

Anne Catherine Emmerich, uma mística enferma que viveu de 1774 a 1824, já é praticamente cultuada entre os católicos tradicionalistas pelo livro que deu a Gibson os detalhes não fornecidos pelos Evangelhos.

O Vaticano afirma que o Papa João Paulo II beatificará Emmerich por sua vida virtuosa, não pelo livro famoso, mas a cerimônia do dia 3 de outubro divulgará ainda mais os relatos da Paixão de Cristo, considerados por alguns críticos como sendo medievais e anti-semitas.

"A beatificação será quase certamente interpretada como uma aprovação destes relatos", escreveu em tom de desaprovação o padre John O'Malley, historiador clerical, na revista americana Jesuit weekly America.

O bispo Reinhard Lettmann anunciou a data da beatificação na semana passada na diocese de Muenster, na Alemanha, onde Emmerich viveu. A beatificação é o último passo antes da santificação na Igreja Católica.

Lettmann ressaltou o fato de a freira ter levado forças a outras pessoas apesar de sua própria fragilidade, um assunto apreciado por João Paulo II, que aos 84 anos ainda pontifica apesar de sofrer do mal de Parkinson.

"IMAGENS IMPRESSIONANTES"

Apesar de afirmar que seu filme foi fiel aos Evangelhos, Mel Gibson evidentemente se baseou no livro de Emmerich, "A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo" para criar algumas cenas marcantes.

O episódio em que Maria enxuga o sangue do filho depois de seu sádico suplício é puro Emmerich. Nenhum Evangelho menciona um demônio encapuzado incitando os judeus a exigir a crucificação de Cristo ou seguindo-o enquanto carregava a cruz.

"Imagens impressionantes --ela me deu idéias que eu jamais teria", disse Gibson em uma entrevista no início do ano.

"O que se vê no texto dela é uma cristandade muito visceral", afirma Diane Apostolos-Cappadona, professora de artes na Universidade Georgetown, em Washington.

"É muito cru e se aplica bem a uma cultura moderna com um alto nível de violência", disse à Reuters. "Não é algo que se queira ler para os filhos antes de dormir."

Outro problema com "A Dolorosa Paixão" é o anti-semitismo.

Emmerich retrata os judeus como cruéis assassinos de Cristo, idéia rejeitada pela Igreja como parte das reformas feitas durante o Segundo Conselho do Vaticano (1962-1965).

"Eu não recomendaria o livro a ninguém", escreveu o padre O'Malley.

O Vaticano suspendeu um pedido anterior de beatificação de Emmerich em 1928 devido à preocupação de que o poeta romântico alemão Clemens Brentano, que escreveu sobre as visões da freira, pudesse ter embelezado os relatos dela com seus próprios detalhes.

Mas o caso foi reaberto em 1973 e aprovado em julho de 2003, oito meses antes do filme de Gibson.

"As vendas do livro foram às alturas", afirma Apostolos-Cappadona, que analisa o filme de Gibson no livro a ser publicado "Revisando a Paixão".



 Escrito por Wagner às 14h02
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24/04/2004 - 10h19

Vaticano nomeia pela primeira vez uma mulher para um alto cargo

da France Presse, na Cidade do Vaticano

O Papa João Paulo 2º designou pela primeira vez uma religiosa para desempenhar um alto cargo no Vaticano, ao nomear neste sábado a irmã Enrica Rosanna como subsecretária da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada, o ministério encarregado dos clérigos.

A reverenda irmã Enrica Rosanna, 60, que atualmente dirige a Universidade Salesiana, é a primeira mulher a chegar a um cargo tão elevado de uma congregação e, além disso, em um ministério relativamente importante para a Igreja Católica.

Cada congregação é dirigida por um cardeal que tem o título de prefeito e que é assessorado por um secretário eleito entre os bispos.

São poucas as mulheres nos cargos de responsabilidade no Vaticano. Embora elas ocupem numerosas funções subalternas, ou dêem assessoria ao Papa, poucas possuem título oficial.

Na Igreja Católica, as mulheres não podem exercer o sacerdócio, apesar dos reiterados apelos de uma pequena minoria de fiéis.

 Escrito por Wagner às 13h25
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"A Paixão de Cristo", filme de Mel Gibson, só serve para atiçar os fundamentalismos



Editorial


"A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, que estréia na França após o seu triunfo americano, é uma dupla regressão. Primeiro, no plano estético: embora ninguém possa ignorar a violência do suplício da crucifixão na época romana, nenhum profissional do cinema até então havia abordado a morte de Jesus com uma tal prevenção em favor da morbidez e da bestialidade.

Em segundo lugar, trata-se de uma regressão no plano teológico: se a violência de "A Paixão" está encharcada tanto da violência que existia no tempo de Jesus quanto da violência do mundo moderno, este culto hipertrofiado da dor é anticristão. Não há nada nos textos da tradição cristã que permita afirmar que a redenção do mundo tivesse sido medida em função dos sofrimentos suportados, ou que leve a acreditar que, ao perdoar aos seus carrascos, o Cristo tivesse se tornado cúmplice de um tal sadismo escancarado.

A regressão mais grave do filme de Mel Gibson está no seu anti-semitismo insidioso. Se houver uma vítima, existem forçosamente os seus carrascos. Nada diz no texto original da "Paixão" que o povo judeu foi coletivamente responsável pela morte de Jesus. Mas Gibson não nos poupa nem dos textos, nem dos estereótipos que, ao longo dos séculos, foram utilizados pela propaganda antijudia.

A maldição vinculada aos judeus desde o Evangelho de Mateus ("Que o seu sangue recaia sobre nós e sobre os nossos filhos!") foi mantida, apesar das críticas das organizações judias americanas. Pôncio Pilatos, o prefeito romano da Judéia, que toda a historiografia pinta como um personagem de uma crueldade repugnante, passa aqui por um gentil humanista.

Os torturadores são os ocupantes romanos, mas os que dão as ordens são os grandes sacerdotes judeus, presentes em todas as etapas do processo de Jesus e até ao pé da cruz. Quem poderá sustentar que tal filme não reforça os piores clichês sobre os judeus cúpidos, intolerantes, manipuladores, conspiradores, sedentos por sangue, o que é um cúmulo para todo judeu respeitoso da lei?

Este coquetel de culto da dor cristão e de antijudaísmo é explosivo. Ele alimentou todas as representações da Paixão na Idade Média que acabavam sempre em motins antijudeus, até aquelas que, na Bavária, faziam correr as multidões nazistas.

No momento em que o extremismo religioso está vencendo em todo lugar, no momento em que a confusão entre sagrado e violência se instala em todas as mentes, este filme pode ter efeitos devastadores, seja nas periferias onde tudo pode ser pretexto para o ódio aos judeus, seja nos países árabes (nos quais os meios de comunicação divulgaram que Iasser Arafat teria assistido ao filme de Gibson e aprovado) seja nas relações entre judaísmo e cristianismo. Com base em arrependimentos e em revisões dos textos, estas relações haviam melhorado desde o concílio Vaticano 2 (1965). Quem ainda acredita que este progresso seja uma conquista irreversível?

Como se surpreender com o fato de que os que apóiam Gibson estejam nas fileiras dos católicos tradicionalistas, os quais não têm a menor dúvida quanto à culpabilidade dos judeus na morte de Jesus? Ou ainda em meio aos protestantes evangélicos, incapazes de se desvincular de uma leitura literal das Escrituras?

Este filme alimenta as piores tendências fundamentalistas do mundo moderno.




 Escrito por Wagner às 12h48
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Misturando, comparando, buscando

Na verdade, a maioria dos cristãos nem é puramente substitutivo nem puramente exemplarista em seu ponto de vista. JoAnne Terrell, autora de "Power in the Blood? The Cross in the African American Experience" (Poder no sangue? A Cruz na experiência afro-americana), acredita em uma expiação substitutiva por meio da morte de Jesus. Ela é, segundo ela, "um das crenças básicas da igreja afro-americana".

Mas ela acredita em algumas outras coisas. Alguns anos atrás, sentada em uma classe de seminário, ela teve um flashback. Ela era menina novamente, e a mãe dela tinha acabado de ser assassinada pelo seu namorado. Terrell viu novamente o colchão ensopado de sangue e a impressão em sangue da mão de sua mãe na parede. Repentinamente, "eu tinha que encontrar uma ligação entre a história de minha mãe, minha história e a história de Jesus", disse ela.

O Cristo que ligava estas histórias não era apenas aquele cuja morte a libertou do pecado. Terrell disse que ele também era o Cristo que gerações de afro-americanos acreditaram que sofreu com eles e por eles. E, ela acrescentou, o Cristo que em sua vida "tinha-se erguido contra autoridades abusivas e uma cultura abusiva, ensinando as pessoas a fazerem o mesmo". Estes Cristos, reunidos em um, a apoiaram em sua dor, a permitindo ver sua mãe como tendo morrido como alguém que enfrentou aquele que abusava dela e ajudou Terrell a encontrar seu lugar como uma pessoa "tentando viver para Deus". Assim, disse ela, "Jesus está realmente lutando por nós não apenas por substituição, mas também como aquele que realmente se identifica conosco, nos acompanhando no sofrimento e nos fornecendo um exemplo de como viver nossas vidas".

Apesar de Terrell ter uma narrativa cristã particularmente dramática, sua disposição de misturar, combinar e mudar as teorias da expiação é extremamente comum. Mark Noll, professor de pensamento cristão da Faculdade Wheaton em Illinois, nota que "o cristão comum, quando diz, 'Cristo morreu pelos meus pecados', pode estar dizendo mais de uma coisa". E Barbara Wheeler, presidente do Seminário Auburn de Nova York, afirmou que atualmente "a maioria dos teólogos reconhece mais do que duas possibilidades e a importância de equilibrá-las e integrá-las".

Mesmo no mundo evangélico, para cada cristão como Reagan White Jr. -um batista do Texas que recentemente recusou uma congregação voltada para a linha exemplar porque "mesmo o melhor órgão no mundo pode soar uma nota desafinada se o sermão ao qual segue dilui a essência do cristianismo"- provavelmente há cinco metodistas como Janet McLeod, uma publicitária do mesmo Estado que notou: "Nós extraímos nossa força da vivência das parábolas de Jesus e de sua missão. Da crucificação, nós extraímos nossa esperança do que vem a seguir". Graham, o pastor batista de Plano, disse: "É como perguntar qual asa do avião é mais importante".

A maior preocupação para aqueles interessados na saúde da fé americana era -pelo menos até fevereiro passado, pelo menos- a grande quantidade de cristãos que realmente não pensavam na morte de Jesus. "Na maioria das igrejas protestantes", disse Jennings, do Seminário Teológico de Chicago, "mal há uma Cruz presente. Você passa direto do Domingo de Ramos para o de Páscoa sem passar pela Paixão".

A omissão vai muito além da aversão histórica protestante a crucifixos exibindo o corpo de Jesus. Segundo Jack Miles, autor de "Cristo: Uma Crise na Vida de Deus", ela remonta o século 18, quando "os americanos tendiam a não se ater à agonia de Jesus. Era mais 'amigo da minha alma, ele caminha comigo e fala comigo'". Tal fenômeno, que tem apenas aumentado, aflige os cristãos conservadores assim como as seitas principais, disse Prothero, o autor de "American Jesus". "Se você perguntar aos evangélicos em uma pesquisa Gallup se eles desistiram da teologia mais dura, eles dirão que não. Mas na experiência cotidiana, a expiação não é uma realidade vivida."

E, conseqüentemente, isto sugere um cristianismo com um grande buraco onde, no mínimo, deveria ser dedicada alguma meditação. "A cruz está no centro do cristianismo, e nós sabemos que ela se encontrava no centro do próprio pensamento de Jesus", disse John Scott, um pregador anglicano e autor de "The Cross of Christ" (a cruz de Cristo), que sofreu um derrame no ano passado. "Eu nunca poderia acreditar em Deus se não fosse pela Cruz." Ele quase implora. "No mundo real da dor, como alguém poderia adorar um Deus imune a ela?"

"A Paixão de Cristo" de Mel Gibson certamente fez sua parte para combater o cristianismo light. A posição do filme sobre a expiação poderia ser descrita como substitutiva (a citação inicial de Isaías estabelece o tema) com uma forte dose de devoção católica (os detalhes sangrentos), uma pitada de exemplarismo (os flashbacks de ensinamentos de Jesus) e baforadas sulfurosas do antigo modelo bem versus mal.

Em outras palavras, um abordagem quase tão eclética quanto a do americano comum. Será que ele convencerá alguém de alguma filosofia em particular? Talvez não, mas é um lembrete de que a questão do motivo da morte de Jesus exige algum tipo de resposta de alguém que pondera sobre sua fé -e que a pergunta não evaporará no Domingo de Páscoa.



 Escrito por Wagner às 12h44
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Visões conflitantes

Mas ainda é possível haver uma boa disputa sobre o significado da cruz. Em 1994, por exemplo, quando uma participante de uma conferência nacional feminista, paga em parte pela Igreja Presbiteriana americana, disse: "eu não acho que nós precisamos de uma teoria da expiação; eu não acho que precisamos de pessoas penduradas em cruzes, sangue pingando e coisas estranhas", a repercussão negativa ao comentário e outros aspectos controversos da conferência resultaram na renúncia de uma alta autoridade presbiteriana e uma perda de doações que a Igreja estimou chegar a US$ 2,5 milhões.

Em grande parte, a escaramuça permanece verbal. Desde o início, os críticos da teoria exemplar defenderam que nela não havia utilidade para a divindade de Cristo. Qualquer mártir virtuoso serviria. Um espirituoso comentou que a Bíblia podia ter terminado com a morte de Abel, um homem decente o bastante. Evangélicos calvinistas como Albert Mohler, presidente do Seminário da Convenção Batista do Sul, continuam a defender tal argumento. A teoria exemplar pura, disse ele, "é apenas um relato de um ser humano tentando impressionar outros seres humanos com a moral do auto-sacrifício, e isto não é o evangelho cristão e nunca será". Outros notam que a teoria faz pouco do pecado e do mal, dando a impressão de que não há nada errado com o mundo que não possa ser curado pelo empreendimento humano.

Enquanto isso, as críticas da substituição pura podem ser igualmente cáusticas. O católico liberal John Dominic Crossan a tem chamado de "a mais infeliz idéia bem-sucedida na história do pensamento cristão". Ele sugere que após a Igreja cristã ter conquistado o poder terreno, a teoria de Anselmo criou um senso de dívida e uma alavanca para controle social. "Se eu puder persuadir você de que existe um Deus punidor, que você merece ser punido e que eu disponho de uma saída para você, então esta é uma teologia muito atraente", disse ele.

Outros vêem uma dupla remoção de poder -primeiro da humanidade, cuja redenção está sendo negociada bem acima de sua cabeça coletiva e, mais importante, de Cristo, o filho de um pai cujo universo moral parece exigir sua morte. Mesmo se você ignorar alegações literalistas de que a substituição promove o abuso infantil divino, a evidência de centenas de anos sugere que, nas mãos erradas, ela pode transmitir a mensagem errada.

A reverenda Susan Thistlethwaite, presidente do Seminário Teológico de Chicago, escreveu sobre sua experiência como conselheira espiritual: "Inúmeras mulheres me disseram que seu padre ou ministro as aconselharam, como 'boas mulheres cristãs', a aceitarem as surras de seus maridos como 'Cristo aceitou a cruz'. Uma ênfase exagerada no sofrimento de Jesus, somada à exclusão de seus ensinamentos, tem sido usada para apoiar a violência".

Thistlethwaite sente tão fortemente isto que, há poucas semanas, ela reuniu um grupo na Primeira Igreja Metodista Unida de Chicago para falar sobre o filme de Mel Gibson. Era um filme de guerra, ela disse para os cerca de 30 presentes, o mais violento que ela já tinha visto. Um colega dela disse que o filme parecia adotar a teoria da expiação substitutiva. "Os problemas com esta teologia cristã clássica", ele apontou, são a "glorificação da morte e do sofrimento, o encorajamento da criação de bodes expiatórios e a transformação do perdão em ônus da vítima (como Cristo)".

Jonathan Ramey levantou sua mão. Ramey, um ministro batista ordenado que é sem-teto, migrou para a Primeira Igreja Metodista Unida enquanto vivia em um abrigo próximo. "Uma pessoa não pode se beneficiar do sofrimento de outra?" ele perguntou. "Meu irmão me salvou de ser espancado mais de uma vez levando ele as surras. Eu estou sofrendo agora", disse ele. "Se eu olhar para o sofrimento de Jesus, eu sei que posso suportar isto." Os outros participantes foram indulgentes com ele por alguns minutos, mas não cederam em sua posição,

Um pouco mais tarde, Ramey refletiu sobre a reunião. "Não é que estas pessoas não sejam boas", disse ele educadamente. "Mas elas vivem uma realidade diferente. Você fica em uma posição tão elevada, que não tem idéia da verdade real do evangelho, de que o sofrimento faz parte da salvação."

Outro testemunho da efervescência deste debate é que ele permanece presente nas guerras culturais. O cientista político John Green, da Universidade de Akron em Ohio, nota que o senso de pecado inerente à teoria substitutiva denuncia a tendência política de direita da moralidade do indivíduo. De fato, a natureza de cima para baixo da substituição reafirma o desprezo dos conservadores pelos direitos que eles sentem que estão ausentes no imprimátur bíblico de Deus. "O entendimento substitutivo é servil", disse Mohler. "Ele coloca o pai na posição de fonte de satisfação de exigências morais que nos impõe por meio da expiação de Cristo. Nós não temos autoridade para definir nossa própria existência ou reivindicar direitos como o direito da mulher de abortar."

Por outro lado, Randall Balmer, chefe do departamento de religião da Faculdade Bernard em Nova York, disse que os cristãos exemplaristas devem apoiar questões como os direitos dos gays com base na "compaixão de Jesus pela humanidade, que devemos emular sendo graciosos, aceitando, incluindo e não sendo condenadores". A afirmação de Martin Luther King Jr. que o "sofrimento imerecido é redentor" foi exemplarista, apesar de sua teologia não se resumir a apenas isto.



 Escrito por Wagner às 12h44
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Por que Jesus morreu?

Filme de Mel Gibson estimula a discussão da questão central da semana santa


David Van Biema*

Uma questão de honra

Anselmo também leu as linhas do novo testamento que chamam a morte de Cristo como resgate, mas ele não podia acreditar que algo era devido ao diabo. Então ele reestruturou a dívida cósmica. Segundo ele, a humanidade devia a Deus-pai um resgate de "satisfação" (usando a terminologia feudal de Anselmo) pelo insulto do pecado. O problema era que a dívida era impossível de ser paga: não apenas carecíamos dos meios, já que tudo o que tínhamos de valor era de Deus para começar, mas também carecíamos de posição, como um baixo servo incapaz de apagar um insulto a um grande senhor. A condenação eterna parecia inevitável, exceto por um milagre da graça. Deus "remodelou" a si mesmo em forma humana para que Cristo, que era tanto livre de pecado como igual social de Deus, pudesse sofrer a agonia não merecida da crucificação, a dedicando ao pai em nome da humanidade. Cristo "pagou pelos pecadores o que ele não devia pessoalmente", escreveu Anselmo, reverentemente. "Será que o pai recusaria ao homem o que o filho de boa vontade lhe deu?" Não, felizmente.

A formulação de Anselmo, freqüentemente chamada de expiação substitutiva, tem sido redeclarada de inúmeras formas ao longo dos séculos. A Igreja eventualmente ampliou o conceito do pecado pelo qual Jesus morreu para além da desobediência de Adão, incluindo as transgressões de todos. João Calvino, o reformista do século 16, substituiu o rei feudal de Anselmo por um juiz severo furioso contra uma criação merecidamente amaldiçoada. Hala Saad, um atual freqüentador de igreja no Texas, recitou uma versão moderna mais branda: "Tudo o que preciso fazer é assinar o plano de cancelamento de dívida de Deus para que Jesus ocupe o meu lugar!"

Ainda é discutido qual grupo de humanos (Todos? Os cristãos? Os eleitos?) é beneficiado pelo sacrifício e se nossos pecados de alguma forma agravam retroativamente a agonia do sacrifício de Cristo. Mas nenhuma outra formulação pós-bíblica entrelaçou de forma tão elegante o pai, o filho, a criação volúvel e as sugestões de pecado e graça. Nenhuma ligou tanto o crente ao Salvador na intimidade da dor (e eventual glória da Páscoa) e concluiu a grande obra de Paulo de transformar a cruz, a imagem do horror supremo, no supremo ícone ocidental do amor.

A Igreja Católica adotou a idéia substitutiva como uma doutrina legítima no século 16. A reforma também se banhou no sangue do cordeiro, e rara é a congregação protestante americana que não canta: "Ó perfeita redenção, a compra de sangue/ para cada crente a promessa de Deus/ O mais vil ofensor que realmente acredita/ Daquele momento de Jesus o perdão recebe".

Exemplo, não sacrifício

Mas do século 18 em diante, vários pensadores desenvolveram uma série de queixas sobre a substituição, apesar de poucos realmente desejarem abandoná-la totalmente. Para alguns americanos, o Deus irado e todo-poderoso de Calvino lembrava demais o tirano arbitrário cuja derrubada tinha definido o país. Em uma época em que Thomas Jefferson estava cortando literalmente todas as referências a milagres de sua cópia da Bíblia, a estrutura sobrenatural da substituição perturbava alguns racionalistas do Iluminismo. Seu pouco espaço para a vontade humana entrava em choque com o crescente otimismo do século 18 e 19 de que a espécie podia se aperfeiçoar por seu próprio esforço. E em uma cultura religiosa cada vez mais definida pela evangelização emotiva e pela idéia de um relacionamento pessoal com Jesus, e equação legalista de Anselmo pareceu para alguns como uma abertura para aqueles que pregam para conquistar almas.

Em busca de alívio, eles se voltaram para uma fonte tão antiga quanto Anselmo. O teólogo francês Pedro Abelardo também trabalhou na Idade Média para tratar do papel de Jesus na redução da distância entre a humanidade pecadora e Deus, mas ele o fez sem recorrer a uma transação na mesma moeda. Sua expiação ocorria menos como um pacto entre Deus pai e Deus filho, e mais nos corações dos crentes que aderiam à mensagem da vida de Jesus -e ao amor expresso dramaticamente em sua disposição de morrer em vez de renunciar ao chamado. "Amor responde ao apelo do amor", escreveu Abelardo. Com o exemplo de Jesus diante dela, a humanidade, com seu ouvido surdo reaberto, podia agora conquistar a salvação e a reconciliação com Deus.

Serene Jones, uma teóloga de Yale, notou: "Na teoria da substituição, o problema entre a humanidade e Deus é de dívida. Na teoria abelardiana, o problema é de ignorância. Nós não temos informação suficiente". Isto se enquadrava bem ao espírito do Iluminismo e levantou vôo. O ministro Horace Bushnell, de Hartford, Connecticut, seu maior proponente no século 19, declarou que a nova localização da expiação não estava "nos campos remotos do ser", mas na humanidade, como "um efeito moral forjado na mente da raça". A morte de Jesus se tornou menos central, porque não era mais o preço para a remoção do peso do pecado; e em vez disso os sucessores de Bushnell passaram a pregar a vida do Salvador, exortando suas congregações a lutarem pela reconciliação com o Pai imitando as curas do Filho, seus ataques aos cambistas ou seus preceitos de amor e tolerância.

Esta teoria é conhecida como expiação exemplar, e foi exposta com vigor há poucas semanas pelo reverendo Shafer da Presbiteriana de Rutgers. Shafer, que tinha acabado de assistir "A Paixão de Cristo", se sentiu compelido a responder ao que considerou sua proposta de que "o propósito central da existência de Jesus era oferecer a si mesmo como resgate sacrificatório a um Deus enfurecido pelos nossos pecados." O pastor discordou. "A missão e propósito da vida e ministério de Jesus", ele pregou, "foi, primeiro, servir de modelo para a humanidade da plenitude da misericórdia e do perdão que Deus oferece para nós pecadores e, segundo, servir de modelo para nós da perfeição do amor que é Deus e a qual aqueles que aceitam o perdão de Deus são convidados, pela graça de Deus, a se tornarem." Portanto, concluiu Shafer, "não é a morte de Jesus que pode nos salvar, mas sua vida!"



 Escrito por Wagner às 12h37
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Por que Jesus morreu?

Filme de Mel Gibson estimula a discussão da questão central da semana santa


David Van Biema

Expiação

Por trás destas perguntas há um trágico senso de alienação que antecede a vida e morte de Jesus em milhares de anos. Desde o surgimento da religião, Deus (ou deuses) sempre foi definido pela separação. E pela mesma quantidade de tempo, os seres humanos temeram que a alienação estava aumentando. "Senhor, por que estás tão longe" lamentou o salmista, eventualmente concluindo que o motivo era a desobediência humana e o pecado. Na época de Jesus, o ritual do templo judeu incluía sacrifícios regulares de expiação dos pecados, cheios de esperança de reconciliação com Deus. Por volta de 57 d.C., quando o apóstolo Paulo escreveu o livro "Carta aos Romanos" do Novo Testamento, ficou claro que os cristãos quiseram reconfigurar a reconciliação em torno da vida, morte e Ressurreição de Cristo. Mas como?

Alguns teóricos modernos da expiação argumentam que as escrituras apresentam apenas uma resposta -a deles. Mas muitos mais concordam com Theodore Jennings Jr., do Seminário Teológico de Chicago. "O novo testamento é completo" na questão do motivo da morte de Cristo, ele disse. Seus escritores "são todos persuadidos de que algo realmente drástico, fundamental e dramático aconteceu, e reúnem todas as formas para compreensão disto".

O livro "Carta aos Hebreus", por exemplo, se apropria diretamente da metáfora do sacrifício judeu, exceto que desta vez Jesus é tanto o sacerdote quanto o sacrifício, derramando "não o sangue de bodes e bezerros, mas seu próprio sangue, e assim, de uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna". O evangelho de Marcos prefere a linguagem legal romana da libertação dos escravos: "Pois o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos".

A "Primeira Carta de Pedro", por sua vez, adota uma linha diferente, colocando as provações de Jesus como motivo de imitação, "pois também Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos". E a carta de Paulo aos colossenses faz apenas uma breve pausa na Cruz no seu caminho até a imagem triunfal do Cristo elevado, desfilando inimigos demoníacos em correntes : ele "despojou os principados e potestades e os deu publicamente em espetáculo, arrastando-os no seu cortejo triunfal".

Foi este último modelo que primeiro pegou. Por cerca de mil anos, os pais da Igreja parecem ter visto o sofrimento e morte de Cristo menos como um esteio trágico importante da salvação, mas sim como um passo necessário na campanha triunfante de Deus no mundo humano e, eventualmente, nos distritos do diabo. Eles viram a encarnação e a ressurreição como mais importante para a reconciliação e um novo começo para a humanidade.

De fato, uma posição próxima desta é ainda mantida pelos 250 milhões de cristãos ortodoxos orientais do mundo, o que os deixa menos suscetíveis à imagens prolongadas da agonia de Cristo como as apresentadas por Mel Gibson. Segundo Frederica Mathewes-Green, que escreveu vários livros sobre a religião ortodoxa: "É como um bombeiro que entra em um prédio e volta coberto de ferimentos e cicatrizes, mas carregando um bebê que foi capaz de tirar do berço. A vitória é que ele resgatou a vida eterna do pecado e da morte. E é nisto que os cristãos ortodoxos se concentram".

Quando, no início, os pais da Igreja empregaram a imagem das escrituras da morte de Cristo como um resgate, o recebedor não foi Deus mas o diabo, o qual alguns sentiam que tinha direito legítimo sobre a humanidade devido à queda de Adão. Mas outros preferiram outro cenário: ver a crucificação e a descida subseqüente de Jesus ao que chamavam de inferno como uma espécie de plano divino de vara e anzol, no qual o diabo achou que tinha conquistado uma vítima humana particularmente virtuosa apenas para descobrir que tinha permitido a entrada em seu reino do poder que eventualmente resgataria a humanidade de volta ao seu domínio. Santo Agostinho comparava o diabo a um rato, a cruz a uma ratoeira e Cristo a uma isca.

Outros (incluindo ortodoxos atuais) ficam satisfeitos em deixar a natureza precisa da transição como um mistério. Mas são enfáticos em sua compreensão de um Cristo decididamente não vítima, mas sim um grande campeão contra um mal que é uma força sobrenatural real e formidável -de reinos invisíveis lutando acima de nossas cabeças e sob nossos pés. Tal conceito sobrevive no grande hino de Martinho Lutero "Deus É Castelo Forte", nos livros "Deixados Para Trás" baseados no "Apocalipse" e na cena entre Cristo e o diabo que abre o filme de Mel Gibson. Mas ele não definiu a compreensão dos cristãos ocidentais do significado da morte de Cristo. Tal honra coube à teoria desenvolvida por Anselmo, o Arcebispo de Canterbury, que em 1098 escreveu um dos tratados teológicos mais influentes já escritos: "Por que Deus se fez Homem".



 Escrito por Wagner às 12h36
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   Por que Jesus morreu?

Filme de Mel Gibson estimula a discussão da questão central da semana santa


David Van Biema*

A melhor forma de deduzir por que algo tinha que acontecer é imaginar como teria sido se tivesse acontecido de outra forma. Isto é o que David Gray estava fazendo em uma sala de estar confortável em Geneva, Illinois, com outros homens de sua igreja. Eles estavam, digamos, realizando uma especulação sobre a morte de Jesus.

"O que aconteceria se o plano de Deus fosse Jesus vir a Terra para transmitir estes ensinamentos e falar bem. Sabe como é, 'Ame seu inimigo...' E então ele fosse levado e não morto. Por que no plano de Deus ele teve que sofrer daquela forma?" Os outros membros do grupo masculino de estudo da Bíblia, ligado à Igreja Episcopal de São Marcos, em Geneva, meditaram sobre a questão.

"Será que o plano de Deus teria que ser mais dramático?" sugeriu um. "Certo", disse outro, imaginando brevemente o pensamento de Deus. "'Vocês não estão entendendo. Vamos ter que fazer algo mais dramático aqui'". "Eu gostaria de adicionar uma palavra a esta discussão", disse um terceiro. "Obediência. [Jesus] foi totalmente obediente."

Gray meditou sobre o que foi dito e chegou a uma conclusão. "Tinha que acontecer fisicamente", disse ele. "Eu talvez não diria isto antes de ter visto o filme. Mas agora está muito mais claro para mim. Eu não sei dizer por que ele teve que sofrer daquela forma. Mas Cristo tinha que morrer."

O filme, é claro, é "A Paixão de Cristo", a versão de Mel Gibson para as últimas horas de Jesus na Terra, que, desde sua estréia na quarta-feira de Cinzas nos EUA, já foi visto por mais de 30 milhões de pessoas. Agora estamos na semana santa; por todo o país, nos próximos sete dias, mais pessoas estarão falando sobre a Paixão de Cristo.

Só nos EUA, dezenas de milhões irão à igreja e participarão de missas que revivem a morte e a ressurreição do Messias. Para um certo setor da população, o espírito da temporada foi ampliado com a publicação de "The Glorious Appearing" (a aparição gloriosa), o 12º livro da série best seller "Deixados para Trás", no qual Jesus retorna em um julgamento apocalíptico.

Mas o que marcará esta semana de Páscoa como diferente para um número maior de cristãos -e talvez aprofundar a natureza da celebração- será o impacto de "A Paixão de Cristo". Além de freqüentar as missas, muitos lotarão os cinemas locais para absorver -alguns pela primeira vez, muitos pela segunda ou quinta- o sermão gráfico em celulóide de Gibson paralelamente às palavras de seus pastores. Nas últimas seis semanas o filme arrecadou US$ 340 milhões. Ele passou a ser exibido em cerca de 350 cinemas adicionais para a semana santa, mas mesmo assim não há dúvida de que em alguns locais algumas pessoas não conseguirão assistir por causa da lotação, particularmente na sexta-feira.

E o que elas extrairão desta adaptação incomum das narrativas de Cristo? É sempre perigoso prever o comportamento religioso, mas parece provável que antes de viajarem para os reinos elevados do Domingo de Páscoa, elas passarão um pouco mais de tempo no vale sombrio da sexta-feira santa. Quando os católicos romanos entre eles ouvirem o padre recitar o verso de Isaías -"Ele foi traspassado por nossas transgressões (...) com seus ferimentos veio a cura para nós"- eles poderão se recordar que foi com estas palavras que Gibson começou sua leitura do flagelo de Jesus.

Quando muitos luteranos se ocuparem na adoração meditativa da cruz e quando os fiéis até mesmo da menos litúrgica das igrejas protestantes cantarem, "Que a água e o sangue/Que fluíram do seu ferimento/Curem os pecados", eles também poderão imaginar mais vividamente a cruz e o sangue. E eles poderão se ver mais propensos a ponderar uma questão cuja resposta, a princípio, parece que deveria ser tão simples como "Jesus me ama, isto eu sei", mas que na verdade tem dividido teólogos e clérigos por séculos, e sem um fim a vista: por que Cristo morreu?

Isto é, não quem (na Terra) o matou nem exatamente o quanto sofreu. Mas qual foi o motivo cósmico para sua agonia? Qual é seu propósito, seu cálculo divino? Quão precisamente sua morte, geralmente tratada neste contexto como expiação, leva à salvação da humanidade?

A expiação "é o ponto central do cristianismo, e é o que o distingue de todas as outras religiões", disse Giles Gasper, um historiador religioso que escreveu um livro sobre um dos grandes intérpretes medievais do assunto. Sem pelo menos um entendimento intuitivo da expiação, um fiel tem pouca chance de entender as promessas da fé de redenção e vida eterna.

Porém, por estranho que pareça, em muitas igrejas a questão do motivo da morte de Cristo é inerte, se é que está presente. Um motivo é que qualquer desvio da rota "Ele deu a vida por nós" rapidamente mergulha em formulações metafísicas para as quais os estudiosos religiosos carecem de um vocabulário básico. "Muitas pessoas não captam os nuances teológicos, incluindo clérigos", disse o dr. Philip Blackwell, da Primeira Igreja Metodista Unida de Chicago. E mesmo se captássemos, disse Jack Graham, pastor da megaigreja Batista de Prestonwood, em Plano, Texas, uma compreensão plena ainda assim poderia nos escapar. "Há muitos mistérios da expiação que nós não entendemos neste lado da eternidade", disse ele.

A discussão também é impedida pelo romance dos cristãos americanos com um Jesus pessoal, amigável, prestativo, que torna uma discussão detalhada de sua morte violenta um tema cada vez mais difícil. Segundo o teólogo e locutor de rádio R.C. Sproul: "Você não ouve mais as pessoas pregando sobre a expiação. Eu não acho que exista grande diferença entre o evangelismo protestante e as principais seitas do cristianismo".

Não, pelo menos, até seis semanas atrás. Graças ao filme de Gibson, "a expiação está de volta à agenda da cultura americana", disse Stephen Prothero, diretor do departamento de religião da Universidade de Boston e autor de "American Jesus: How the Son of God Became a National Icon" (Jesus americano: como o Filho de Deus se tornou um ícone nacional). "Esta é uma grande mudança. A expiação era a crença Nº 10 dos americanos. Mas agora eles se importam mais. Este é o cristianismo da crucificação."

A experiência é semelhante à reabilitação de um músculo que você esqueceu que tinha. Assim, nesta quaresma, o reverendo Byron Shafer, pastor da Igreja Presbiteriana de Rutgers, no Upper West Side de Manhattan, fez seu primeiro sermão sobre a expiação em "oito ou nove anos". Blackwell, da Primeira Metodista Unida de Chicago, se viu acompanhado de outros dois para falar no site MSNBC, debatendo o assunto como se fosse um tema de campanha eleitoral ou o julgamento de uma celebridade. E em Geneva, a questão continua a fascinar os estudantes da Bíblia e o pároco assistente da igreja, Tony Welty. "A questão é", disse Welty, "Ok, se isso realmente aconteceu, por que aconteceu? Por que Cristo morreu? E se ele realmente morreu, então, meu Deus, o que isso significa para mim? Eu sou uma pessoa vivendo no século 21. Isso é algo que eu precisaria levar mais a sério?"



 Escrito por Wagner às 12h34
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Papa diz que domingos são para Deus, não para o esporte CIDADE DO VATICANO 

  O papa João Paulo 2o. disse na sexta-feira que os domingos devem ser dias dedicados a Deus, e não a atividades secundárias, como diversão e esportes. "Quando o domingo perde seu significado e fica subordinado a um conceito profano de "fim de semana", dominado por atividades de diversão e esportes, as pessoas ficam presas em um horizonte tão estreito que mal podem enxergar os céus", afirmou o pontífice em um discurso para bispos australianos. O papa criticou a "cultura do 'aqui e agora"', solicitando que os líderes das Igrejas "tirem homens e mulheres das trevas da confusão moral e da ambiguidade de pensamento". João Paulo 2o, de 83 anos, também encorajou os cristãos, especialmente os jovens, a manterem a fé na missa de domingo, dizendo que a cultura secular está enfraquecendo a vida familiar.



 Escrito por Wagner às 15h41
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    E Não deixem de acessar o FOTOBLOG TOCA DO TOELHO http://tmkt940.fotoblog.uol.com.br

 Escrito por Wagner às 12h47
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Papa João Paulo II

Papado de João Paulo 2º será amanhã o terceiro mais longo 09h50 - 13/03/2004 Por Juan Lara Cidade do Vaticano, 13 mar (EFE).- O Pontificado de João Paulo 2º será desde amanhã, 14 de março, o terceiro mais longo da história da Igreja, só superado pelo de São Pedro e o do beato papa Pio 9º. Dos 264 papas que existiram, São Pedro, segundo os escritos, dirigiu o colégio apostólico entre 34 e 37 anos. Lhe segue Pio 9º (1846-1878), com 31 anos, sete meses e 17 dias, e, desde amanhã, João Paulo 2º. Até agora o terceiro pontificado mais longo era o de Leão 13, com um total de 25 anos, quatro meses e 17 dias. Segundo um minucioso cômputo realizado pelo Vaticano, levando em conta também os anos bissextos, o papado de Leão 13 foi de 9.280 dias. João Paulo 2º amanhã comletará 9.281 dias de pontificado. O polonês Karol Wojtyla, cardeal da Cracóvia, foi eleito Papa o 16 de outubro de 1978. Tinha 58 anos, tomou o nome de João Paulo 2º em homenagem a seu antecessor João Paulo 1º e se converteu no pontífice mais jovem do século 20 e o primeiro não-italiano desde o holandês Adriano 6º (1552). Embora um dos papados mais curtos tenha sido o de João Paulo 1º, que só durou 33 dias, na história da Igreja há outros ainda mais curtos. O mais curto de todos foi o do papa Urbano 7º (1590), que só durou doze dias; seguido de Bonifacio 6º (896), 15 dias, e de Celestino 4º (1241), 16 dias. O Papa realizará a efeméride como sempre trabalhando e sem dar-lhe importância. Amanhã ao meio-dia aparecerá no balcão de seu apartamento para rezar o Ângelus com milhares de fiéis, como há todos os domingos. Os próximos meses porão à toda prova seu delicado estado de saúde. Serão semanas carregadas de trabalho e que começarão no próximo domingo quando proclamará em uma normalmente longa cerimônia solene a quatro novos beatos. O Papa tem previsto oficiar também todos as aberturas cerimônias da Semana Santa e acudir ao Coliseu de Roma para presidir a tradicional Via Crucis na noite de Sexta-feira Santa. No dia 25 de abril proclamará a outros seis novos beatos. Nos sábados se reunirá no Vaticano com paróquias romanas, além de com milhares de fiéis todas as quarta -feira nas audiências públicas. Embora o Vaticano não tenha anunciado ainda viagem alguma fora da Itália, os bispos suíços informaram recentemente que João Paulo 2º viajará para Suíça dias 5 e 6 de junho, para presidir em Berna o Primeiro Encontro Nacional de Jovens Católicos, ao que se espera assistam mais de 10 mil jovens. João Paulo 2º está convidado a visitar este ano também França e Áustria. Se seu estado de saúde o permite possivelmente viajará esta primavera (hemisfério norte) ao santuário austríaco de Mariazel. O que já está confirmado é que o dia 5 de setembro visitará o santuário italiano de Loreto, a 400 quilômetros de Roma, para reunir-se com Ação Católica Italiana.

 Escrito por Wagner às 12h20
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Papa defende reforma da ONU para torná-la mais eficaz
13h06 - 07/02/2004


Cidade do Vaticano, 7 fev (EFE).- O Papa João Paulo II expressou hoje, sábado, seu apoio a uma reforma da ONU para tornar a organização internacional mais eficaz e "uma autoridade moral cada vez mais respeitada" no mundo.

O Pontífice fez este pedido ao receber hoje em audiência o presidente da 58ª Assembléia Geral da ONU e ministro de Assuntos Exteriores de Santa Lúcia, Julian R. Hunte.

Hunte disse no último ano em Nova York que depois da Guerra do Iraque há uma necessidade "urgente" de revitalizar a Assembléia Geral e de reformar o Conselho de Segurança, principal órgão executivo da ONU.

O Papa Wojtyla afirmou que a Santa Sé considera as Nações Unidas "um instrumento significativo para a promoção do bem comum universal", e acrescentou que a reforma da ONU servirá para obter uma maior eficácia na resolução dos conflitos.

Assim, João Paulo II defendeu mudanças no organismo internacional para transformá-lo "em uma autoridade moral cada vez mais respeitada pela comunidade internacional".

"Espero -afirmou- que os países membros considerem esta reforma uma obrigação moral e política que requer prudência e determinação".

Neste sentido, o Pontífice lembrou sua mensagem do último Dia Mundial da Paz (primeiro de janeiro), ao afirmar que a ONU pode desempenhar um papel importante para permitir o desenvolvimento de uma ordem internacional "a serviço de toda a família humana".

O Pontífice defendeu em diversas ocasiões o papel da ONU para mediar nos conflitos internacionais.



 Escrito por Wagner às 15h05
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"Maria, Mãe do Filho de Deus", de Moacyr Góes

Por: Miguel Pereira

 

   Embora sejamos uma nação religiosa, a nossa cultura cinematográfica não aborda muito esse tema. Pelo menos em seu sentido mais estrito. É claro que a religiosidade está presente em muitos filmes brasileiros. Sempre, porém, dando contexto às histórias narradas, e não sendo o seu tema central. Só no cinema documentário é que se observa uma produção mais constante, e, com muita freqüência, de excelente nível. Basta lembrar o recente "Santo forte", de Eduardo Coutinho. Portanto, "Maria, Mãe do Filho de Deus", dirigido pelo teatrólogo Moacyr Góes, e tendo como personagem o padre Marcelo Rossi, é a atual produção brasileira que se aventura num tipo de cinema que não se consolidou entre nós como um gênero especial, como aconteceu em outras cinematografias.

    

    Inúmeros  filmes americanos já se tornaram clássicos do gênero, assim como um bom número de europeus antenados com o mercado consumidor. Desde da vida de Cristo à de santos ou episódios bíblicos, muitos filmes já fazem parte do repertório de um gênero que obviamente tem o seu público. Creio ter sido essa oportunidade de mercado que motivou os produtores de "Maria, Mãe do Filho de Deus" a realizarem o filme. Além disso, a aceitação do padre Marcelo em participar do filme e até mesmo ser o seu principal motivador tornaram o projeto comercialmente viável.

       

  Partindo desse pressuposto mercadológico, "Maria, Mãe do Filho de Deus" é o que se pode chamar de um filme para o grande público. Não adianta exigir dele o que ele não é. No fundo, seus limites são também suas qualidades. A história de Maria nos é narrada a partir das fontes canônicas, e, portanto, dentro dos limites do Catecismo Católico. Essa é a sua ambição e também o seu objetivo: Ser uma espécie catecismo audiovisual. Como tal, serve-se da linguagem do cinema e atua também na sensibilidade das pessoas tentando construir um discurso de adesão aos valores religiosos.

  

  Neste aspecto, tem um sentido simbólico ao buscar elementos de identificação com o espectador. Tanto a história da Maria bíblica como a da Maria nordestina, acabam se juntando pela força da fé. Assim, o elo entre a reconstituição histórica da vida de Nossa Senhora e os acontecimentos dos tempo atual é uma espécie de aula de catecismo que o padre Marcelo dá para a filha da Maria nordestina, enquanto esta vai busca o seu exame médico. Essa estratégia narrativa é, em princípio, correta e funcional, embora, nem sempre bem resolvida. Certos episódios poderiam perfeitamente sair, por serem completamente desnecessários, como, por exemplo, as casualíssimas aparições de Dom Fernando e dos pais do padre Marcelo.

 

  Por outro lado, na parte da reconstituição histórica, alguns momentos são de fato inspirados e conseguem empatia com o público. Outros mais ambiciosos e inspirados em bons modelos, como é o caso do episódio da tentação de Cristo, obviamente cunhado nas belíssimas seqüências  de "O Evangelho segundo São Mateus", de Pier Paolo Pasolini, não chegam a reeditar o seu modelo, embora este bloco do filme tenha alcançado bom resultado, entre outras coisas, pela ótima interpretação de José Dumont, no papel do Demônio tentador. Aliás, a galeria de intérpretes sai-se muito bem, valorizando bastante o filme.

 

   "Maria, Mãe do filho de Deus" é assim um filme cuja ambição se realiza na medida em que, certamente, fará muito bem a muita gente que por ele está esperando.

 

              



 Escrito por Wagner às 11h53
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Pensamento pós-moderno e a depressão

Pelo cardeal Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício 

Publicamos a síntese da intervenção pronunciada pelo cardeal Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, na XVIII Conferência Internacional sobre «A depressão», convocada por esse organismo vaticano de 13 a 14 de novembro. Este resume foi distribuído pela organização do Congresso.


* * *

Refletindo sobre a história do pensamento ocidental me chamam atenção os ciclos que se apresentam: iniciam-se com a apresentação de problemas vitais que foram sintetizados em três grandes polos: Deus, o homem e o mundo. Vários pensadores começam a tentar dar respostas pertinentes, estas respostas vão subindo de tom até chegar a soluções geniais onde parece que a humanidade chegou a seu ápice, que não necessariamente é uma culminação temporal da época, pois pode ter simultaneidade com os momentos fortes, o pensamento decai e se debilita de uma maneira quase total.

Na antigüidade grega, depois desses grandes mestres que foram Sócrates, Platão e Aristóteles, perfila-se a decadência nas correntes do Ceticismo, do Epicurismo e do Estoicismo. Na Idade Média, depois dos grandes pensadores que culminam a Escolástica, Abelardo, São Anselmo, Duns Scoto, Santo Alberto Magno, São Tomás, São Boa Ventura, etc.., vem o Nominalismo com Occam à cabeça. No pensamento moderno, aos grandes pensadores: o Racionalismo de Descartes, o Empirismo de Hobbes, Locke e Hume, o Idealismo de Kant, Fichte, Schelling e Hegel, sucede o cansaço da Ilustração, o Deísmo, o Pietismo, a Aufkkirung e a Enciclopédia, que ainda em sua não originalidade ainda puderam ser em certa forma ensaios de respostas universais aos problemas fundamentais Deus, Homem, Mundo. Este declive do pensamento agora se agrava no século XX e começo do XXI por influxo em especial de pensadores como Nietsche, Heidegger, Wittgenstein, Lyotard e Vattimo, até cair, de novo como na antigüidade grega, no Ceticismo, no Epicurismo e no Estoicismo.

Este pensamento, ao menos em grande parte do Ocidente, está motivando uma mudança que pode ser um marco importante para mover-nos no campo que nos ocupa nesta Conferência Internacional sobre «A depressão». Como início de nossos trabalhos e pequena introdução sobre a depressão, permitam-me aludir muito sinteticamente ao que me parece mais significativo deste pensamento que configura a assim chamada cultura da Pós-modernidade.

Começo com uma alusão sintética às linhas básicas das posições de autores que me parece estão na base da Pós-modernidade; eles são Nietzche, Heiddeger, Wittgenstein, Lyotard e Vatimo (Cf. I Sanna, «L’Antropologia cristiana tra modernità e postmodernità», Brescia, 2001, 160-161).

Parece que chegamos a conectar assim São Tomás com a Pós-modernidade: O contato é em último termo a tristeza pelo bem divino que se goza pela caridade. Este bem divino não é outro que a mesma vida divina. Entristecer-se por ela é entendê-la como má, como inconveniente, negá-la. Negar a vida desemboca na morte, na chamado anticultura radical do quarto homem. O contato conflui assim no «homo pavidus» pós-moderno, no homem deprimido. O único remédio é a afirmação da vida frente à anticultura da morte. A única afirmação incontestável da vida é a ressurreição. Somente a ressurreição de Cristo e nossa ressurreição nele, fora de qualquer intervenção genial religiosa mas como um fato ocorrido e que ocorre, afasta de qualquer paliativo a depressão e vai às suas últimas raízes destruindo-as por completo, pois destrói a morte. (Fonte: Zenit)



 Escrito por Wagner às 11h34
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Jovens de famílias e comunidades com fortes valores têm menos chances de se envolver com drogas e violência

Uma pesquisa, realizada nos Estados Unidos pelo Search Institute, revela que experiências e valores positivos ajudam os jovens a terem uma vida livre de drogas e violência.A presença de valores no cotidiano da comunidade em que os jovens vivem previnem seu envolvimento com situações de risco.  Foram identificados 40 valores (internos e externos) que podem ajudar os jovens a se desenvolverem de forma saudável.

Entre os valores internos aos jovens, o estudo aponta:

- compromisso com a escola;
- valores positivos (integridade, solidariedade, honestidade, controle e responsabilidade);
- sociabilidade (relacionamento interpessoal, solução pacífica de conflitos);
- e identidade (auto-estima, senso de propósito, visão positiva do futuro).

Como valores externos, foram apontados:

- apoio da família,
- dos vizinhos,
- da escola;
- valorização do jovem;
- imposição de limites e expectativas;
- e uso construtivo do tempo em atividades criativas, religiosas, familiares e esportes.

O estudo afirma que, quando os valores fazem parte da vida dos adolescentes, podem ajudar a melhorar seu comportamento social, desempenho escolar e saúde.

Em uma comunidade e família saudáveis, é mais fácil manter uma juventude sadia. Quando os jovens têm valores positivos, conseguem tomar decisões corretas.

A enquete da pesquisa, composta por 156 questões, foi aplicada em diversas regiões dos EUA e com pessoas de variadas classes sociais, com o objetivo de identificar em que medida os jovens vivenciavam cada um dos valores.

Foram analisados 217 mil jovens entre 1999 e 2000 e o estudo apontou que os jovens que apresentavam 10 ou menos valores em sua vida cotidiana desenvolveram maior comportamento violento (61%) e tendência a consumir álcool (49%).

À medida que os valores presentes na vida cotidiana aumentavam, a tendência a consumir álcool e apresentar comportamento violento diminuía: de 11 a 20 valores, 27% de álcool e 38% de violência. Para entre 21 e 30 valores, 11% de álcool e 19% de violência; e de 31 a 40 valores, 3% de álcool e 7% de violência.

Marc Mannes, diretor do Instituto que conduziu a pesquisa, explicou que nos EUA os jovens são vistos como pessoas que só praticam ações incorretas. Os programas sociais norte-americanos, normalmente, estão voltados à resolução de determinados problemas e desejam resultados imediatos. O Search Institute considera essa abordagem imprópria porque não avalia o potencial dos jovens.

De acordo com Mannes, os programas são necessários, mas deve-se ir além deles. "É preciso construir relações fortes e sadias com os jovens, fora dos programas, para que eles se desenvolvam de forma adequada. Ao invés de gastar energia para resolver problemas, é necessário concentrar-se nos pontos fortes da juventude e construir relacionamentos saudáveis a partir dos valores de desenvolvimento", afirmou Mannes.

Essa nova forma de encarar o problema é mais trabalhosa e demorada porque implica em uma mudança cultural da comunidade. Mas para o pesquisador, é mais efetiva e garante a continuidade. "Se os jovens desenvolvem suas competências de sociabilidade, conseguem resistir às pressões negativas e não recorrem à violência. Por isso é importante implementar esses valores na comunidade de forma consistente e positiva". 

O Instituto chama atenção ainda para o fato de que criar jovens responsáveis é trabalho de todos na comunidade e não apenas de um profissional especializado. "A estratégia de ação para atingir essas metas é engajar todos os setores, mobilizando jovens e adultos, além das organizações de base, os empresários e o poder público. Quando os jovens têm auto-estima, podem colaborar muito com a comunidade".

Um grupo de trabalho, composto por profissionais do Senac, da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, do Meninos do Morumbi e da Fundação Bank Boston, está analisando a pesquisa para ver de que forma ela pode ser aplicada e aproveitada no Brasil.

Fonte: http://www.setor3.com.br
Baseado em artigo de Laura Giannecchini



 Escrito por Wagner às 10h23
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